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    Laringes eletrônicas começam a ser entregues na rede de saúde pública do DF

    Aparelhos estão sendo destinados a pacientes que passam por cirurgia de retirada da laringe ou outro acometimento que leva à perda da fala
    LÍVIA DAVANZO, DA AGÊNCIA SAÚDE-DF

    Devolver aos pacientes a possibilidade de falar e, consequentemente, a qualidade de vida. Essa é a funcionalidade das chamadas laringes eletrônicas, aparelho que auxilia na reabilitação vocal de quem passa por uma cirurgia para retirada da laringe, por exemplo, em decorrência de um câncer ou algum outro fator que leve à perda da fala.

    Nesta terça-feira (15), o Núcleo de Atendimento Ambulatorial de Órteses e Próteses e Materiais Especiais (NAOPME), da Secretaria de Saúde, realizou as primeiras entregas, contemplando três pacientes. Ainda nesta semana, serão entregues mais quatro aparelhos. Esse equipamento, até então, não fazia parte das próteses fornecidas por meio do Programa de Órteses e Próteses da SES/DF.

    “O fornecimento das laringes é a concretização de um trabalho em equipe que envolveu muitas pessoas para que fosse possível contemplar nosso usuário, que é a nossa finalidade. A entrega de hoje representa o resultado desse esforço”, comemora Maria Paula Toledo, RTD colaboradora de fonoaudiologia da SES/DF.

    Beneficiados

    O primeiro a receber o aparelho foi o morador de São Sebastião, Raimondo Bandeira Subrinho, de 78 anos. O aposentado chegou logo cedo ao NAOPME, localizado na galeria da estação do metrô da 114 Sul, ansioso para retirar o recurso que muda sua vida. “A gente fica nervoso, pois perdemos a fala de uma vez”, lembra.

    Raimondo passou pela cirurgia em 2014. Durante a entrega, recebeu da fonoaudióloga Maria Cláudia Santos de Arruda as instruções de uso do aparelho e aproveitou para testar e tirar suas dúvidas. “Eu agradeço vocês. Isso é muito importante para mim”, elogiou o atendimento recebido pela equipe que o acompanha.

    O segundo a receber um equipamento foi Claudionor Bispo dos Santos. Acompanhado do genro, o morador de Planaltina, de 66 anos, estava na expectativa para receber a laringe eletrônica. Desde que fez a cirurgia, em dezembro de 2020, ele não conseguia se comunicar, o que o deixava apreensivo.

    Ao ver o aparelho e fazer os primeiros testes, ficou emocionado. “Uma maravilha”, disse e brincou que agora vai poder gritar novamente nos jogos do seu time, Botafogo. Agora, Claudionor vai passar pelas sessões de reabilitação, nas quais aprende as técnicas para melhor uso e aproveitamento do recurso.

    Segundo a fonoaudióloga Maria Cláudia, normalmente são necessárias de três a quatro sessões no processo de reabilitação para o aprendizado da utilização da laringe eletrônica. Após esse período, o paciente recebe alta. As sessões para os pacientes acompanhados pela Secretaria de Saúde são realizadas no serviço de referência em cabeça e pescoço que funciona no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF).

    “A perda da possibilidade da fala impacta muito a qualidade de vida do ser humano. Nós somos seres comunicativos. Quando perdemos isso, perde-se qualidade de vida e afeta a própria identidade da pessoa. Proporcionar ao usuário que ele possa novamente se comunicar oralmente, vai trazer impacto profundo na sua qualidade de vida e permitir sua reinserção no ambiente social, laboral e de lazer”, destaca Yara Régia Silva Santos, RTD de fonoaudiologia da SES/DF.

    Cadastro

    Os pacientes submetidos à laringectomia passam por avaliação no serviço de cabeça e pescoço e, caso seja indicado o uso da laringe eletrônica, são encaminhados para realizar o cadastro no NAOPME. Com o cadastro, entram na fila de espera pelo equipamento.

    O cadastro é feito de forma presencial no Núcleo de Atendimento Ambulatorial de Órteses e Próteses e Materiais Especiais, localizado na Estação do Metrô da 114 Sul, Praça do Cidadão. O telefone é (61) 3346-4525.

    Aparelho

    A laringe eletrônica consiste em uma espécie de bastão que ao ser colocado na região do pescoço, faz a emissão de ondas sonoras, produzindo uma voz robotizada. Não substitui a fala humana, mas devolve ao paciente a capacidade de se comunicar por meio da fala.

    O aparelho vem acompanhado de pilhas recarregáveis, carregador e cordão para que a pessoa possa levar sempre consigo o equipamento. Além disso, permite o ajuste de intensidade e frequência.

    Fotos: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

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