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    EMPRESÁRIO DIZ QUE RECEBEU CAIXA 2 DE AGNELO

    Deu em O GLOBO:

    Dono do “Jornal da Quadra” teria ganho R$800 mil para publicar matérias favoráveis; advogado do governador nega
    Jailton Carvalho

    BRASÍLIA. Numa denúncia que pode provocar uma reviravolta no quadro político no Distrito Federal, o empresário José Seabra Neto, dono do semanário “Jornal da Quadra”, decidiu romper um pacto de silêncio e acusou Agnelo Queiroz (PT) de usar caixa dois para se eleger governador do DF na campanha eleitoral do ano passado. Numa entrevista exclusiva ao GLOBO, na segunda-feira, Seabra disse que recebeu R$50 mil por semana durante toda a campanha para produzir edição semanal de 100 mil exemplares do “Jornal da Quadra”, com matérias favoráveis a Agnelo e contra o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), principal adversário na disputa. Os pagamentos não constam na prestação de contas de Agnelo à Justiça Eleitoral.

    – Sou testemunha ocular. Eu recebi dinheiro para fazer um jornal para apoiar Agnelo Queiroz. Nós tirávamos 100 mil exemplares por semana. O pagamento era feito semanalmente em espécie, R$50 mil – disse Seabra.

    Ao todo, ele teria recebido R$800 mil entre junho e novembro do ano passado para produzir 16 edições do jornal e distribuir os 100 mil exemplares principalmente no Plano Piloto. Segundo o empresário, o caixa dois tinha como coordenador o delegado da Polícia Civil Miguel Lucena, hoje diretor da Codeplan (Companhia de Planejamento do Distrito Federal). Seabra diz que recebia envelopes com o dinheiro das mãos de Lucena ou de outros emissários do delegado. Na época, Lucena era coordenador de Inteligência e Segurança da campanha de Agnelo.

    Segundo ele, alguns pagamentos foram feitos numa das lanchonetes do Centro Empresarial Norte, um prédio de salas comerciais no início da Asa Norte. A sala 108 B, do prédio, abriga a sede administrativa do “Jornal da Quadra”. Lucena chegava com o dinheiro guardado num envelope ou enrolado num jornal e entregava o pacote. Seabra diz ainda que manteve encontros e recebeu pelo menos um dos pagamentos no café do Garvey Hotel, no Setor Hoteleiro Norte.

    O empresário sustenta que recebeu um dos pagamentos no estacionamento de uma loja do supermercado Walmart, próximo a Rodoferroviária. Naquela semana, o pagamento seria feito por um outro emissário da campanha. Seabra não revela o nome. O emissário, que não queria ser visto na companhia de Seabra, teria marcado o encontro. Ele teria entregue o dinheiro ao dono do “Jornal da Quadra” sem sair do carro. Seabra sustenta que depositava os recursos numa conta na agência do BRB (Banco Regional de Brasília).

    Procurado pelo GLOBO, Agnelo escalou o advogado Luiz Carlos Alcoforado para rebater as acusações. Coordenador jurídico e responsável pela prestação de contas de Agnelo, Alcoforado negou qualquer irregularidade e chamou para si a responsabilidade por eventuais vícios:

    – Ninguém fez arrecadação de maneira imprópria ou ilícita. Se essa premissa fosse tolerável, certamente nós não teríamos terminado a campanha com um déficit. Nós estamos ainda devendo a vários prestadores de serviço. Se houve qualquer vício, qualquer defeito, o responsável serei eu porque eu fui contratado para fazer isso.

    Miguel Lucena confirmou que teve vários encontros com Seabra durante a campanha, mas negou que tenha dado dinheiro ao empresário. Num dos encontros, ele diz que foi levar um artigo escrito pela mulher, a ex-deputada Maria José. Em outros, Seabra teria apenas participado de reunião como amigo de pessoas ligadas à campanha. Lucena disse que vai processar Seabra por denunciação caluniosa:

    – É mentira. Ele tem que dizer onde foi o local que eu fiz e a forma que dei (o dinheiro). Se ele publicar, vou processá-lo.

    Dinheiro vinha ‘em envelopes’
    JOSÉ SEABRA NETO

    BRASÍLIA. Entre nervoso e abatido, o empresário José Seabra Neto confirmou em entrevista a denúncia de caixa dois na campanha do petista Agnelo Queiroz para o governo do Distrito Federal.
    Jailton de Carvalho

    Você diz que o governador Agnelo Queiroz fez caixa dois durante a campanha eleitoral. Você mantém essas acusações ?

    JOSÉ SEABRA NETO: Sou testemunha ocular. Eu recebi dinheiro para fazer um jornal para apoiar Agnelo Queiroz.

    Que jornal? Como eram feitos esses pagamentos?

    SEABRA: Era o “Jornal da Quadra”. Nós tirávamos cem mil exemplares por semana. O pagamento era feito semanalmente em espécie, R$50 mil.

    Quem fazia os pagamentos?

    SEABRA: Eram emissários da coordenação da campanha. O dinheiro era concentrado por meio do doutor Miguel Lucena.

    Onde eram feitos esses pagamentos?

    SEABRA: Ou me traziam na minha empresa ou eu pegava no Manhattan Flat ou pegava com empresários que apoiavam a campanha.
    Como esse dinheiro era entregue?

    SEABRA: Em envelopes pardos, embrulhados em jornal, várias maneiras.

    Você emitiu algum recibo?

    SEABRA: Nenhum.

    Como você sabe que esse dinheiro era de caixa dois?

    SEABRA: Não era um dinheiro declarado. Chegava limpo em minhas mãos, em espécie. Não era cheque nominal nem nada.

    Por que você resolveu fazer a denúncia agora ?

    SEABRA: Eu não denunciei. Eu escrevi uma matéria sobre o assunto. Repórter não denuncia, escreve as matérias. Eu era dono das informações e escrevi a matéria

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    Deve ler

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